Apenas uma chance

Ele está lá, sentado em uma mesa de uma cafeteria saboreando seu capuccino pela manhã e esperando a hora certa de começar o dia. Ela, assiste o nascer do sol todos os dias, da janela de seu apartamento. Ambos estão sozinhos. Ambos não veem saida.

Ele se levanta da cadeira e caminha em direção à sua rua, acabou seu café e vai para casa. É sábado e a madrugada foi boa demais, curtiu até o último minuto, até que encontrou o que queria e terminou sua noite. Assim como acabou seu prazer pela vida.

Ela despertou assim que tentou dormir. Virou para a cabeceira, pegou a caixinha com uma tarja preta, era para dormir. Mas já não fazia efeito. Revirou na cama e dormiu um pouco. Acordou de novo, já era quatro da manhã, sentou em frente à janela e ficou pensando na vida. Até o sol raiar.

Ele passava embaixo da janela dela quando percebeu um barulho. Olhou para o alto. Uma linda mulher, com uma camisola esvoaçante se punha de pé no parapeito da sua sacada. Ela olhava na direção do nascer do sol, e parecia hipnotizada.

Ele gritou, mas ela não ouviu. Ou achou que não ouviu. Ele não sabia ao certo o que ela queria fazer, até que tentou chamar alguém na recepção do prédio. Foi quando ouviu um barulho assustador.

Ela pulara.

Ele, sem saber o que fazer, correu em direção do corpo daquela bela mulher, o andar não era tão alto, poderia haver uma saída…

Testou sua pulsação embora visse o sangue correndo pelo canto de sua boca. Quando mirou sua face, veio à sua mente toda aquela madrugada de prazer, e o desejo, o incrível desejo que vinha logo após… de fazer o mesmo que aquela garota fizera.

Pensou em quantas vezes não olhou para o horizonte e sentiu-se atraído pela ideia de acabar com seu vazio, sua falta de vontade de viver daquela forma. Ele se desesperou ao ver uma pessoa tão nova e bela, lançada ao chão como um objeto, seu sangue escorrendo pela boca e ouvidos, como se tivesse tudo acabado.

Viu as lágrimas que haviam deixado molhado o rosto daquela menina. Sentiu um aperto muito grande em saber que havia segurado na garganta, talvez as mesmas lágrimas que ela enquanto apreciava um capuccino…

Desesperou-se ao perceber que seu fim poderia ser o mesmo. Se ao menos tivesse uma chance… Se ela tivesse também uma chance…

Sentiu alguém segurar seu ombro.

-Ainda há uma chance.

Ele decidiu que os dois mereciam uma nova chance. Ouviu uma ambulância chegando, não percebeu ao certo quanto tempo ficou ali, mas alguém tomara as atitudes necessárias para que um milagre se tornasse possível.

Ajudou a pô-la na maca e entrou com ela na ambulância. “Se ela conseguir, eu também consigo”

Continua…

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