Legado

Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
Minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.

Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma. Nova reunião.
v. I. Rio de Janeiro: J. Olympio; Brasília: INL, 1983, p. 247.

Neste poema, Drummond se questiona sobre que herança literária ele deixará para seu país. Ele acredita que logo será esquecido e ridicularizado, visto as grandes mudanças que ocorriam desde então na história política e tecnológica do Brasil.

Da mesma forma que um poeta, tão aclamado e respeitado fez esta pergunta para si mesmo, eu, simples mortal acadêmica de Letras me pergunto: que legado deixarei para as gerações futuras? Pois se intenciono mudar as mentes, eis aí a oportunidade de influenciar jovens com meu talento.

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